SALA 1 - O Gesto Original

Sala 1: O Gesto Original - A Fanart como Afeto


Por Que Nós Criamos? A Psicologia do Fandom

Antes de falarmos de algoritmos e máquinas, é essencial falar do coração humano.

Esta sala celebra o gesto original: a fanart criada puramente pela mão e pela intenção do fã. Essas obras são mais do que meras ilustrações; são atos de afeto.

Por que dedicamos horas e horas a reimaginar personagens ou expandir histórias que não são originalmente nossas? O teórico cultural Henry Jenkins descreve o fandom como uma cultura participativa, um espaço onde o consumo se transforma em produção. Não somos apenas espectadores passivos; somos co-criadores emocionais. A criação de fã, seja um desenho ou uma fanfic, nasce de uma profunda conexão pessoal com a obra. É uma forma de:

Processar Afeto: Expressar a alegria, a raiva, a tristeza ou a identificação que sentimos por um personagem.

Reivindicar a História: Interpretar a narrativa através de uma perspectiva própria, preenchendo lacunas ou corrigindo o que consideramos "errado".

Pertencer: O ato de criar é também um convite para a comunidade, um "olha o que eu sinto, você sente também?".

Nesta sala, você verá fanarts produzidas por nós, Ana e Davi, inteiramente de forma tradicional (esboço manual e arte digital, sem IA). Elas são o ponto de partida, o registro puro de nossa intenção, interpretação e afeto. Observe o processo, o rabisco no caderno / tablet, o traço hesitante ou decidido. É neste espaço de esforço, tempo e paixão que a arte de fã encontra sua força mais autêntica.


Processo e Afeto: Nossas Obras

As Fanarts da Ana 

As Fanarts do Davi 

Aqui você pode ver a nossa jornada pessoal no fandom e do tempo dedicado a cada traço.


A Nossa Linha do Tempo Fandom

A linha do tempo da Ana 

A linha do tempo do Davi

Antes de debatermos prompts, algoritmos e autoria expandida, existe o fã que começa com um lápis e uma paixão. Esta linha do tempo é uma viagem de volta aos nossos primeiros desenhos, aos primeiros rabiscos de personagens que nos capturaram a imaginação.

​Estes desenhos, feitos até os nossos dez anos de idade, são o coração desta exposição. Eles são imperfeitos, desproporcionais e muitas vezes incompletos. Mas é neles que reside o afeto mais puro—a energia que nos fez pegar um lápis (ou um hidrocor) e tentar recriar um universo que amamos.

​Olhando para trás, percebemos que o amor foi nosso primeiro motor, o erro foi nosso primeiro professor, e o fandom foi nosso primeiro ateliê.

​Estes são os gestos originais. Eles não foram criados para serem perfeitos; foram criados porque simplesmente não conseguíamos não criá-los. Eles são a base de tudo que fizemos na Sala 2. Eles nos lembram o que a IA não tem: memória afetiva.


Visite o nosso convite para refletir ...

Nós exploramos três grandes interseções através da obra de Riegl 

    1. A Vontade da Autentidade Digital (NFTs e IA): Como a busca por originalidade e autoria se manifesta num mundo de cópias perfeitas.

    2. A Vontade da Conexão Comunitária (Fanarts como Nova Espiritualidade): Como as fanarts criam laços e expressam identidade, assim como a arte religiosa fazia.

    3. A Vontade da Resistência e Representação (Arte Decolonial): Como a arte (incluindo fanarts) é usada para desafiar narrativas dominantes e dar voz a quem foi silenciado.

Embora Riegl não tenha falado sobre esses temas, o seu método de análise nos permite ver que a arte está sempre carregando uma 'vontade' de contar uma história.

CRÉDITOS